Que tudo se exploda
E que o que vier a ser aconteça de forma inesperada
Pois o que quer que seja
Há de ser como o que será
Não é porque pensamos que algo vai acontecer que esse algo seja importante
O que não pensamos tem tanta possibilidade de ser quanto o que não se é pensado
Quem mede?
O nada talvez...
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domingo, 7 de fevereiro de 2016
sábado, 8 de novembro de 2014
A formação do governante e sua função na pólis
Resumo: Este estudo tem como fundamento pesquisar a formação do governante, sua função e atuação na cidade a partir da República e do Político de Platão. Nestas obras a filosofia política se destaca com a figura do governante-filósofo que será pesquisada intrisecamente nas duas obras com o propósito de elucidar a importância do governante, político e ético, na filosofia de Platão, analisando como a política passa de uma concepção pedagógica e epistemológica para uma ciência técnica. As obras de Platão serão analisadas juntamente com o auxílio de obras de comentadores para um maior esclarecimento do tema. Com isso pretendo adentrar nessa esfera política da filosofia antiga para assim compreender melhor o que o governante representa em sua origem na filosofia platônica.
sábado, 22 de março de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O Sofista
O mero sofista é brilhante.
Brilha tanto que cega quem o depara.
Um filósofo se precave disso,
porém não foge.
Como fala de tudo sem falar de nada?
Como nada falar falando de tudo?
Quem consegue parecer filósofo é digno de atenção.
Para o filósofo, o mais difícil é conciliar o conhecimento com a persuasão.
Eis algo que o sofista ensina.
(em construção)
domingo, 10 de novembro de 2013
Meditação acerca do pensamento em mutação evolutiva na existência filosófica
O niilismo pertence ao caminho do não-ser sendo, ou seja, a constante degradação da possibilidade de alcançar o máximo da serência enquanto sendo.
A análise evolutiva da relação entre conhecimento e práxis se mostra mais objetiva e certeira a longo prazo pela relevância histórica e útil do que se pode alcançar atemporalmente.
A relevância que a práxis histórica causou em meu conhecimento é uma mera prova de que a moira se faz de forma imprevista e só precisa da percepção de reconhecer que o caminho do engano se esforça para destruir qualquer um que não acredita em si mesmo como vontade de potência sendo, em devir.
sábado, 9 de novembro de 2013
Qual o sentido da evolução existencial?
A evolução é um fato histórico. Mas de qual evolução estamos falando? Evolução biológica? Evolução científica? Evolução civilizatória? Evolução humana? É evidente que a maioria das evoluções são inquestionáveis, mas a evolução da inteligência humana é colocada em xeque. O mundo segue por um caminho destrutivo, corrupto e decadente. Quem tem esperanças hoje em dia? O otimismo se tornou uma utopia, assim como o pessimismo sempre é superado pela realidade.
Estamos no tempo em que a grande massa segue o caminho do não-ser. O caminho sem volta. Quando se cai no engano, ou seja, acreditando que o não-ser é, considero sem solução. Quem acredita que o não-ser é, jamais terá a chance de contemplar o Ser puro, livre de qualquer contaminação de engano. Posso estar equivocada, ou somente pessimista, mas a dificuldade do caminho do Ser sendo, ou melhor, da verdadeira existência, não sendo possível dissecá-la, permite que o caminho do não-ser com características do que é seja mais aparente, mais enganador e, logicamente, mais fácil de atingir qualquer ente em primeira instância.
A questão não é mudar a moira de cada um, mas sim perceber que existem dois caminhos. Em qual deles as evoluções se direcionam?
Pesquisa em Platão como ideal de existência para um fazer histórico do pensamento filosófico
Conhecimento e praxis são o que torna a filosofia proveitosa, benéfica e vantajosa. Não necessariamente cabe a todos, porém se estiver presente na figura do governante será o suficiente. Tanto conhecimento sem prática é como nada e a recíproca também é lógica. Platão nos apresenta a unificação desses pontos fundamentais para o bem agir, bem viver humano. A harmonia que se busca depende dessa relação e quanto mais intrínseca for, mais plena será.
sábado, 27 de abril de 2013
O ser humano faz sua própria história (e é o único responsável por ela)
“Individualmente as pessoas podem fazer surgir uma nova vida de sentido teleológico, que não se limita a uma simples rearticulação na totalidade histórica, mas pode dar novo impulso para a replasmação de toda a humanidade.” (Cavalieri, 2012, pg.295, 296)
É o ser humano, o ser no mundo, que faz sua própria história. Viver não é um esperar constante pela morte na ociosidade apática na qual um Deus impõe aos homens obedientes o que fazer e no que crer. A liberdade do ser humano no mundo-da-vida se dá na simplicidade. Sem as angústias da origem de onde viemos e ignorando a problemática metafísica do “para onde vamos” a vida se concentra na ação do presente e toda a potencialidade do viver é o que importa.
(Trecho final do texto sobre a via a-teia para Deus da disciplina Filosofia da Religião III, Filosofia-UFES)
domingo, 29 de abril de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Justiça seja feita

“Os governantes não devem propor-se o seu próprio bem, mas o dos governados. (…) Sustenta-se que o injusto é mais forte que o justo. Trata-se de falsa aparência. Na realidade, a injustiça impede os homens de agir de comum acordo, porque suscita entre eles discórdia e sedição. No próprio homem, divide as partes da alma, ergue umas contra as outras e impossibilita assim qualquer ação fecunda que exige a colaboração de todas.” (Platão – A República)
Nossos governantes extremamente injustos sustentam sua força em sua falsa aparência apresentada pela mídia. A mídia, a grande injusta, é a responsável pela manipulação das massas. Porém essa máscara está caindo a cada dia. O tempo é aliado da perseverança.
(...)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Tipos mais universais da décadence
"Tipos mais universais da décadence:
1. (...)
2. Perde-se a força de resistência contra os estímulos, - fica-se condicionado pelos acasos: vulgarizam-se e exageram-se as vivências até o descomunal... Uma “despersonalização”, uma desagregação da vontade – aí está também toda uma espécie de moral, a altruísta, que tem na ponta da língua a compaixão: espécie na qual o essencial é a debilidade da personalidade, de modo que ela ressoa e vibra constantemente como uma corda superexcitada... uma extrema irritabilidade...
3. (...)
4. Anseia-se por um estado em que não mais se sofra: a vida é sentida realmente como motivo de males, - avaliam-se os estados inconscientes, insensíveis (sono, desmaio) como incomparavelmente melhores do que os conscientes; disso resulta uma metódica..." (Vontade de Poder, Nietzsche, pg. 45, fragmento 44)
Bom... Estava eu estudando para me inspirar sobre a monografia em mais um dia comum e me deparo com essa passagem em “Vontade de Poder”. Na verdade soou como uma passagem de algum livro sagrado que revela uma verdade ao espírito.
Quem não tem momentos depressivos em suas vidas? Quem não passa por momentos niilistas em que nada faz sentido? Pois estou nesse caso. Nada faz sentido. Todo o valor se perdeu. Estou em pleno estágio da décadence universal.
Em 2 ficou claro que a apatia, a fraqueza de estar sendo não consegue ir ao encontro dos estímulos de vida. Parece que há um bloqueio na realidade na qual a vontade fica presa sem conseguir se expor ou até mesmo sem conseguir pensar em motivos para existir.
Os acasos é que condicionam a vivência da pessoa, ela não mais cria ou demonstra a vontade de querer as coisas, de ser o que se é e está destinada a ser. A fraqueza da vontade de poder domina e se fica à mercê de uma realidade dominadora e sem sentido. A vontade de ser desaparece e a personalidade se enfraquece.
Já em 4 o tapa foi mais forte. Eu jamais imaginaria que poderia encontrar escrito em algum lugar essa forma de ser na qual estou vivendo. Pensei que era apenas um sintoma, uma debilidade existencial minha, mas não, é uma forma de décadence universal.
Antes já passei por fases em que o caráter do espírito era mais doente. Pelo fato de sofrer muito ao estar acordada, tomava calmantes ao despertar e logo em seguida voltava a dormir. Por isso penso que hoje passo por uma fase doente, sem dúvida, mas de caráter mais brando, pois os extremos estão descartados.
Basta estar consciente para sofrer as conseqüências de estar vivo. Qualquer acontecimento é motivo de tristeza ou desgosto. Tudo é indiferente. Nem um sorriso faz mais sentido. A realidade é motivo de sofrimento, um ser de angústia. A verdade sem ilusão de torpor. Aquela verdade que não tem graça alguma, que vomita a realidade de ser sem nenhum remorso de atormentar um filósofo qualquer.
Enfim... Mais uma fase de angústia na vida...
1. (...)
2. Perde-se a força de resistência contra os estímulos, - fica-se condicionado pelos acasos: vulgarizam-se e exageram-se as vivências até o descomunal... Uma “despersonalização”, uma desagregação da vontade – aí está também toda uma espécie de moral, a altruísta, que tem na ponta da língua a compaixão: espécie na qual o essencial é a debilidade da personalidade, de modo que ela ressoa e vibra constantemente como uma corda superexcitada... uma extrema irritabilidade...
3. (...)
4. Anseia-se por um estado em que não mais se sofra: a vida é sentida realmente como motivo de males, - avaliam-se os estados inconscientes, insensíveis (sono, desmaio) como incomparavelmente melhores do que os conscientes; disso resulta uma metódica..." (Vontade de Poder, Nietzsche, pg. 45, fragmento 44)
Bom... Estava eu estudando para me inspirar sobre a monografia em mais um dia comum e me deparo com essa passagem em “Vontade de Poder”. Na verdade soou como uma passagem de algum livro sagrado que revela uma verdade ao espírito.
Quem não tem momentos depressivos em suas vidas? Quem não passa por momentos niilistas em que nada faz sentido? Pois estou nesse caso. Nada faz sentido. Todo o valor se perdeu. Estou em pleno estágio da décadence universal.
Em 2 ficou claro que a apatia, a fraqueza de estar sendo não consegue ir ao encontro dos estímulos de vida. Parece que há um bloqueio na realidade na qual a vontade fica presa sem conseguir se expor ou até mesmo sem conseguir pensar em motivos para existir.
Os acasos é que condicionam a vivência da pessoa, ela não mais cria ou demonstra a vontade de querer as coisas, de ser o que se é e está destinada a ser. A fraqueza da vontade de poder domina e se fica à mercê de uma realidade dominadora e sem sentido. A vontade de ser desaparece e a personalidade se enfraquece.
Já em 4 o tapa foi mais forte. Eu jamais imaginaria que poderia encontrar escrito em algum lugar essa forma de ser na qual estou vivendo. Pensei que era apenas um sintoma, uma debilidade existencial minha, mas não, é uma forma de décadence universal.
Antes já passei por fases em que o caráter do espírito era mais doente. Pelo fato de sofrer muito ao estar acordada, tomava calmantes ao despertar e logo em seguida voltava a dormir. Por isso penso que hoje passo por uma fase doente, sem dúvida, mas de caráter mais brando, pois os extremos estão descartados.
Basta estar consciente para sofrer as conseqüências de estar vivo. Qualquer acontecimento é motivo de tristeza ou desgosto. Tudo é indiferente. Nem um sorriso faz mais sentido. A realidade é motivo de sofrimento, um ser de angústia. A verdade sem ilusão de torpor. Aquela verdade que não tem graça alguma, que vomita a realidade de ser sem nenhum remorso de atormentar um filósofo qualquer.
Enfim... Mais uma fase de angústia na vida...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Desabafo político-moral

Diferentemente de toda nossa geração, eu não posso ser bem vindo no reino da mediocridade, da igualdade invejosa, da estupidez acoplada na ausência de individualidade, da rejeição a todo tipo de dever ou honra, de toda obrigação. Não posso acolher a rejeição de meu país, da mesma maneira que não posso acolher aqueles cujo único objetivo seja a destruição, e aqueles que cinicamente rejeitam qualquer princípio que possa reconciliá-los após a realização do objetivo de destruição total, quando a profanação e o despojo de tudo tomar a condução do momento onde não será possível continuar a vida por muito tempo mesmo com o pequeno suprimento de produtos e restos deixados intactos para trás pela destruição geral da velha ordem. Eles dizem que querem trabalhar – eles não querem. Eles dizem que querem construir uma nova sociedade. Eles não formaram os vínculos necessários para uma nova sociedade, mas, não dão a mínima importância para isso. Eles não fazem nada! Mas suas doutrinas tornaram tudo tão complexo que os desviaram de pensar juntos. O significado dourado. Não. Eu não sou um democrata.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Distúrbios dos altos céus

Arte incrustada no ventre do sonho que convém
Algo que está às alturas dos que voam além
Sem injúrias desmedidas
Apenas o ente em desencanto
Nada mais do que a pura vontade
Transparecendo a tendência do ente em desabrocho
Sentindo os cheiros mais excêntricos
E as ternuras mais escabrosas
Temendo o medo de temer
Sabendo da maldição do viver
Sentindo o que é a real existência
O peso mais pesado
Eis o fardo nos ombros
A dor de estar além
Quando o mal não mais convém
Mero acaso
28/09/2010 - 04:02
terça-feira, 4 de maio de 2010
Mais anotações filosóficas
- O horizonte aberto em que se pode tudo causa niilismo. Quanto mais se pode mais vontade causa. A sofreguidão de sempre querer mais e mais.
- A vontade não pode não querer.
- A vontade de poder quer vida.
- O niilismo é a atrofia da verdade. Quando ela quer tudo e já não sabe o que quer, a vida perde valor, todas as coisas têm o mesmo valor, o tédio toma conta de tudo e a vontade passa a querer o nada.
- No0 processo do niilismo entendemos como o homem se torna para além do homem: vontade de poder / eterno retorno / auto-superação.
- O nada do niilismo não é fundamento. É o nada contra o todo.
- Sou obrigado a crer firmemente que não creio.
- O atributo da minha divindade é minha própria vontade.
- Causa do niilismo: achar que pode tudo.
Mas ningém pode tudo.
Então gera-se um tédio, um fracasso.
O primeiro passo é se desacreditar.
E que supera isso se torna o homem ideal.
- A condição para o nascimento do super homem é a morte de Deus.
- O super homem é uma CONDIÇÃO que está sempre em esforço e eterno retorno.
- A vontade não pode não querer.
- A vontade de poder quer vida.
- O niilismo é a atrofia da verdade. Quando ela quer tudo e já não sabe o que quer, a vida perde valor, todas as coisas têm o mesmo valor, o tédio toma conta de tudo e a vontade passa a querer o nada.
- No0 processo do niilismo entendemos como o homem se torna para além do homem: vontade de poder / eterno retorno / auto-superação.
- O nada do niilismo não é fundamento. É o nada contra o todo.
- Sou obrigado a crer firmemente que não creio.
- O atributo da minha divindade é minha própria vontade.
- Causa do niilismo: achar que pode tudo.
Mas ningém pode tudo.
Então gera-se um tédio, um fracasso.
O primeiro passo é se desacreditar.
E que supera isso se torna o homem ideal.
- A condição para o nascimento do super homem é a morte de Deus.
- O super homem é uma CONDIÇÃO que está sempre em esforço e eterno retorno.
Anotações de uma aula sobre "Assim Falou Zaratustra" em 02/03/2009
- A doença do homem moderno é a vida.
- Lamentar o que não se é causa a incapacidade de não ver e darvalor ao que se é.
- De certa forma o ser que se dá no agora pensa ao mesmo tempo o passado e o futuro que é o agora.
- A humanidade superou Deus; agora o homem precisa superar o próprio homem.
- Quando se vê milhões de bichos te picando e sente que vê-los percebe o que é do que não é. Aí entra em cena o ser do não-ser e podemos colocar o vice-versa nesse caso.
- De onde pode se tornar tentativa de paz além do niilismo? AMOR
- A massa contra o solitário. Ele incomoda, assola, amedronta.
- Lamentar o que não se é causa a incapacidade de não ver e darvalor ao que se é.
- De certa forma o ser que se dá no agora pensa ao mesmo tempo o passado e o futuro que é o agora.
- A humanidade superou Deus; agora o homem precisa superar o próprio homem.
- Quando se vê milhões de bichos te picando e sente que vê-los percebe o que é do que não é. Aí entra em cena o ser do não-ser e podemos colocar o vice-versa nesse caso.
- De onde pode se tornar tentativa de paz além do niilismo? AMOR
- A massa contra o solitário. Ele incomoda, assola, amedronta.
sábado, 3 de abril de 2010
Epistemologia (2009)

Podemos conhecer?
E se podemos, o que conhecemos é real ou verdadeiro?
E como justificar que o que conhecemos é verdadeiro?
Como justificar que nossas crenças são verdadeiras além das nossas próprias experiências?
A realidade do mundo além das aparências/experiências.
O fenômeno subjetivo é essencialmente conectado a um ponto de vista singular.
A subjetividade é um fato natural além dos conceitos humanos.
A aparência é a subjetividade.
Niilismo
"O deus russo já se rendeu à ´vodka barata`. O povo está bêbado, as mães estão bêbadas, as crianças estão bêbadas, as igrejas estão vazias, e ouve-se nos tribunais: ´um balde de vodka ou duzentas chibatadas`. Oh, deixem crescer a geração! Só lamento que não haja tempo para esperar, senão era só deixá-la ainda mais beberrona!" (Dostoiévski, "Os Demônios", pg. 409)
Sempre achei essa fala do personagem Piotr Stiepánovitch uma grande demonstração do niilista que já perdeu as esperanças em tudo assim como um alcoólatra que não mede as consequências do próximo gole.
Essa vodka barata se enquadra perfeitamente com a ilusão que toma contado povo. Não perdoa nem mães nem crianças. A justiça já ficou ao descaso. O justo não necesariamente é o certo. Seé que devemos usar a lógica do certo e do errado quando tratamos de niilismo.
Não há mais tempo para crescer ou para tentar ser algo diferente do trágico.
O céu atual é niilista ao extremo, mas não porque perdemos os referenciais morais, tampouco Deus. A ordem contemporânea não destrói a moral, apenas tornou-a esvaziada da tradição, modernidade radicalizada e não eliminada.
E se o niilismo se revolta contra a felicidade não é porque consegue vê-la como um artífice engendrado das entranhas da ciência e do progresso modernos. Contrariamente, o niilista é, no limite, um ressentido da felicidade. Acredita tanto na felicidade que nega, já que o “quadro feliz” pintado pelo niilista não pode ser alcançado pois não faz parte do real. O niilista não nega possibilidades depois de pensadas, nega porque a negação é sua própria lógica diante do mundo: manifestação exuberante da passividade e da fraqueza.
Sempre achei essa fala do personagem Piotr Stiepánovitch uma grande demonstração do niilista que já perdeu as esperanças em tudo assim como um alcoólatra que não mede as consequências do próximo gole.
Essa vodka barata se enquadra perfeitamente com a ilusão que toma contado povo. Não perdoa nem mães nem crianças. A justiça já ficou ao descaso. O justo não necesariamente é o certo. Seé que devemos usar a lógica do certo e do errado quando tratamos de niilismo.
Não há mais tempo para crescer ou para tentar ser algo diferente do trágico.
O céu atual é niilista ao extremo, mas não porque perdemos os referenciais morais, tampouco Deus. A ordem contemporânea não destrói a moral, apenas tornou-a esvaziada da tradição, modernidade radicalizada e não eliminada.
E se o niilismo se revolta contra a felicidade não é porque consegue vê-la como um artífice engendrado das entranhas da ciência e do progresso modernos. Contrariamente, o niilista é, no limite, um ressentido da felicidade. Acredita tanto na felicidade que nega, já que o “quadro feliz” pintado pelo niilista não pode ser alcançado pois não faz parte do real. O niilista não nega possibilidades depois de pensadas, nega porque a negação é sua própria lógica diante do mundo: manifestação exuberante da passividade e da fraqueza.
Literatura, niilismo e história
Não há maneira mais eficiente (se é que há alguma outra) de entender a natureza humana do que através da literatura (de qualidade).
Ao longo da história, uma série enorme de personagens "ficcionais" pontuam a literatura mundial com todas as dores e delícias da "anima", e com todos os segredos e disposições (pro mal e pro bem) dos humanos.
Nos últimos dois séculos, em virtude do inegável predomínio (mas não superioridade) cultural anglo-saxônico, massificaram-se personagens novelescos como Romeu, Rei Lear ou Hamlet que, com mais ou menos profundidade, retratam um ser humano que oscila entre o dócil e o hostil, sem contudo esmiuçar o que há de mais profundo no "subsolo" da alma, e na margem tanto dela quanto da própria sociedade, ou talvez da existência.
Nesse quesito, as melhores contribuições vem, não por acaso, do leste europeu.
Personagens como Rodion Romanovitch (Crime e Castigo - Dostoievski); Gregor Sansa (Metamorfose - Kafka); e a "dupla" Piotr Stiepanovitch (e seu pai Stiepan) e Nikolai Stavróguin (com a mãe, Varvara Petrovna), do perturbador "Os Demônios", de Dostoievski, e de outras obras precedentes (destaque para Almas Mortas, de Gógol), esmiuçam tudo aquilo que, na atualidade, os espelhos da moda não mostram, e a TV não deixa deduzir, mas que nem por isso deixou de estar presente na índole humana.
No caso da literatura brasileira, Brás Cubas é o niilista emérito, e talvez único, que jogou na cara da decadente aristocracia de seu tempo sua inutilidade e sua nova nomenclatura, os "homens supérfluos" (na designação de Turguêniev, sobre a mesma "casta", mas na Rússia).
Ao mesmo tempo, Brás Cubas também desmascara, ao lado dos já citados personagens russos, a superficialidade do "homem burguês" emergente e a tirania dos revolucionários radicais, os "Demônios" de Dostoievski, sementes geradoras dos famosos Hitler e Stálin.
Olhar pra dentro da alma humana, para o "subsolo" (de novo Dostoievski) é a forma mais honesta de evolução, afinal, não é sempre que se pode espantar os fantasmas simplesmente fechando os olhos.
Ao longo da história, uma série enorme de personagens "ficcionais" pontuam a literatura mundial com todas as dores e delícias da "anima", e com todos os segredos e disposições (pro mal e pro bem) dos humanos.
Nos últimos dois séculos, em virtude do inegável predomínio (mas não superioridade) cultural anglo-saxônico, massificaram-se personagens novelescos como Romeu, Rei Lear ou Hamlet que, com mais ou menos profundidade, retratam um ser humano que oscila entre o dócil e o hostil, sem contudo esmiuçar o que há de mais profundo no "subsolo" da alma, e na margem tanto dela quanto da própria sociedade, ou talvez da existência.
Nesse quesito, as melhores contribuições vem, não por acaso, do leste europeu.
Personagens como Rodion Romanovitch (Crime e Castigo - Dostoievski); Gregor Sansa (Metamorfose - Kafka); e a "dupla" Piotr Stiepanovitch (e seu pai Stiepan) e Nikolai Stavróguin (com a mãe, Varvara Petrovna), do perturbador "Os Demônios", de Dostoievski, e de outras obras precedentes (destaque para Almas Mortas, de Gógol), esmiuçam tudo aquilo que, na atualidade, os espelhos da moda não mostram, e a TV não deixa deduzir, mas que nem por isso deixou de estar presente na índole humana.
No caso da literatura brasileira, Brás Cubas é o niilista emérito, e talvez único, que jogou na cara da decadente aristocracia de seu tempo sua inutilidade e sua nova nomenclatura, os "homens supérfluos" (na designação de Turguêniev, sobre a mesma "casta", mas na Rússia).
Ao mesmo tempo, Brás Cubas também desmascara, ao lado dos já citados personagens russos, a superficialidade do "homem burguês" emergente e a tirania dos revolucionários radicais, os "Demônios" de Dostoievski, sementes geradoras dos famosos Hitler e Stálin.
Olhar pra dentro da alma humana, para o "subsolo" (de novo Dostoievski) é a forma mais honesta de evolução, afinal, não é sempre que se pode espantar os fantasmas simplesmente fechando os olhos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Mechanical Animals dostoievskiano

“O principal, que deixava todo mundo aflito, era que de toda aquela barafunda não se conseguia concluir nada que tivesse um sentido geral e servisse de elo. É difícil imaginar a que conclusões e a que anarquia do pensamento chegaria finalmente a nossa sociedade, em pânico de tanto medo, (...).”
Pg. 645 - “Os Demônios” – Dostoievski
Isso também pode ser observado nos dias de hoje. As pessoas em geral já não pensam por si mesmas, estão presas a tudo o que vêem nos meios de comunicação e antes de digerir a informação, agregam aquilo ao pavor de sofrer.
Por conseqüência, toda violência retratada (e muitas vezes exagerada) pela mídia acaba que aprisionando os indivíduos dentro de si mesmos, o que em geral acarreta em paranóias, conservadorismo exagerado, tensão, estresse, entre outros males.
O ser humano pode muito bem ter um pouco mais de bom senso (mesmo que isso não seja fácil), pensar no que seu cérebro digere, refletir sobre o que chega até ele.
Atualmente as pessoas parecem cansadas de pensar. O niilismo é tanto que mecanizou o ser humano.
(Uma das idéias da minha monografia.)
domingo, 30 de agosto de 2009
"O Vôo da Águia, A Ascensão da Montanha"
Segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como o provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se, portanto, diz Nietzsche, de “um platonismo para o povo”, de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo, continua Nietzsche, é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor e à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida. “Este ódio de tudo que é humano”, diz Nietzsche, “de tudo que é ‘animal’ e mais ainda de tudo que é ‘matéria’, este temor dos sentidos... este horror da felicidade e da beleza; este desejo de fugir de tudo que é aparência, mudança, dever, morte, esforço, desejo mesmo, tudo isso significa... vontade de aniquilamento, hostilidade à vida, recusa em se admitir as condições fundamentais da própria vida.”
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